2 de março de 2009

Por você faria isso mil vezes

Ontem assisti o filme Caçador de Pipas e me lembrei da sensação que tive ao ler o livro, fiquei tão indignado com o livro, a história mexe com o brio nossa e mostra um mundo preconceituoso e covarde do Afeganistão, ou pelo menos da vida do protagonista.

 

Não acho estranho sermos tão preconceituosos e covardes como foi o pequeno Amir na história, mas o que me deixou com tanta fúria foi o “Por você faria isso mil vezes” dito pelo seu servo Hassan, que foi o cara mais perseguido que já vi num filme, por ser de outra raça e ser servo de Amir.

 

Fiquei pensando quem poderia falar “Por você faria isso mil vezes”, quem seria digno disso, comecei a pensar sobre a justiça que tratamos quem é leal para nós e a quem somos leais, talvez seja uma ótima hora de pensar a quem diríamos isso e como tratamos a quem nos diz isso, pois não é uma frase que se fala da boca pra fora e muito menos que se ouve todo dia.

 

Um Bom Dia e uma ótima Semana.

 

Rafa

 

26 de fevereiro de 2009

Keep Walking

Sigo o caminho da esperança, ela me leva até o horizonte

Sigo o caminho da lembrança, que me leva pelos caminhos que fui feliz

Sigo meus passos, pois não existem pegadas por esse novo caminho

Sussurro o segredo, lacrimejo o sentimento, levanto a poeira de seguir.


Sento na grama para sentir a luz da relva, pois ela me traz vida num amanhecer

Sento na mesa do bar para rir e de lá não saio antes de boas gargalhadas

Sento no banco de meio no cinema para ver a tela no ponto mais interessante.

Sustento a graça de viver em paz mesmo tendo tantos inimigos.


Sossego minha alma com mais uma bela canção, ouço como se fosse a primeira vez

Sossego da caminhada pelo sol escaldante, mas assim que baixar volto pra estrada.

Sossego o peito nestas palavras, pois nelas vão bem mais que palavras.

Sereno e distante é o horizonte pra onde vou, mas antes que o dia acabe estarei lá.


Sacio o desejo de vingança com o perdão, por mais murros na parede que tenha dado.

Sacio a sede com a água do riacho, a mais pura é sempre a mais distante.

Sacio o peito de poeira desta estrada, sem ela não seria eu e ela não seria ela.

Silencio, a solidão o traz, mas nem sempre vem com tristeza


Sigo um alvo lá distante, não impossível e muito menos sem valor.

Sigo por ter caído, por ter me ferido, por ter chorado, sigo pelo prazer de levantar

Sigo por que parado estaria morto, mas andando continuo o mais vivo que posso

Sussurro novamente o segredo de continuar seguindo mesmo com tantos contratempos.

Escuro e Denso

Faz tempo que não escrevo, tenho enchido esse blog de musiquinhas, não que elas não sejam importantes, mas você bem sabe o propósito desta página densa e escura, talvez seja só um rascunho da minha alma, talvez seja deste escuro que alimento minhas palavras e meu apreço pela arte, densa e escura.

A arte que aprecio nos assola, nos incomoda a tentar ser diferente, são aquelas histórias de Plínio Marcus, Nelson Rodrigues que nos afronta, que nos agoniza e nos deixa a beira de um ataque de pânico, com o coração apertado e cheio de algo que nunca havíamos experimentado.

Talvez seja o que peço a essa vida, simplesmente afronta aos meus paradigmas, meus preconceitos, meus pecados, minhas feridas, sacrifico-me em passar mais uma flanela de álcool nesta ferida.

Talvez tenha tido algum proveito, de um preconceituoso desgraçado e sem a mínima expectativa de convivência para um ser multicultural e multi-étnico, isso me tornou mais empático e aprendi a aconselhar, a sentir a dor dos outros, a limpa-las como minhas.

Talvez seja desse denso e escuro breu que encontrei um dia na minha alma seja o estopim para tal mudança, aquele menino que tinha a alma densa e escura aprendeu a amar, frustrou-se e voltou a amar, nessa vida encontro minha paixão a cada esquina, a cada brisa que sopra em meu rosto.

Uso essas palavras densas e escuras para esvaziar, pois agora sai só a essência, poesia e musica.

Musica do Dia

Construção

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague